Ho Chi Minh
Actualmente, detém a segunda maior taxa de crescimento da região, em termos de Produto Interno Bruto (PIB), com cerca de 8,5%, e as suas exportações para o antigo inimigo americano, crescem num ritmo superior às chinesas.
Inúmeras multinacionais ocidentais, predominantemente americanas, e investidores da região, estão a injectar milhares de milhões de dólares no país.
Muitos dos vietnamitas expatriados, estão a voltar em massa para instalar ou administrar empreendimentos.
Os últimos sinais, são claros e transparentes, revelado no facto, de após mais de dez anos de negociações, a Organização Mundial de Comércio (OMC), prepara-se para admitir o Vietname como membro, porque o que conta para a Organização, é a economia de mercado, não o facto de ser um país não democrático.
O pico alto deste ano em acontecimentos para o Vietname, será a Reunião Anual do Fórum para a Cooperação Económica Ásia - Pacífico (APEC), que se realizará em Hanói, a 18 e 19 de Novembro.
Estarão presentes os Presidentes da China, Estados Unidos, Rússia e o Primeiro-ministro do Japão, entre outros Chefes de Estado e Governo.
O Vietname poder-se-á considerar como uma segunda China, reduzida às suas reais proporções, tendo peso na região.
No final de 2005, o ritmo de crescimento do seu PIB, era maior que o da Tailândia, Malásia, Taiwan, Coreia do Sul e mesmo da Índia, a sua rival mais próxima.
Actualmente, o Vietname produz e utiliza mais cimento que a França, a ex-metrópole colonial, de metade da Indochina.
Todo o crescimento traz polémicas, e em particular, nos Estados Unidos, onde os legisladores republicanos deverão votar, depois das próximas eleições, se concedem ou não, ao Vietname a condição de sócio comercial permanente.
Existe, porém, um óbice, que é o facto, de o Vietname exportar para os Estados Unidos nove vezes mais do que importa.
O sector privado americano está dividido por uma ideia da Administração do Presidente Bush, que são as concessões aos Estados do Sul de produção têxtil, para garantir o apoio dos seus senadores à iniciativa sobre as relações comerciais com o Vietname.
Por sua vez, o governo vietnamita considera como uma tentativa proteccionista contra as importações de roupa do seu país, e na vã tentativa de criar um ajuste, tem como consequência o receio dos importadores americanos de roupa do Vietname, ficarem sem mercadoria para vender.
O crescimento superior a 8% anual, está a começar a criar no Vietname, a mesma carência de mão-de-obra qualificada de que padecem a China e a Índia.
As grandes multinacionais afirmam que contabilistas, chefes de recursos humanos e demais profissionais são escassos, a ponto dos seus salários aumentarem quase 50% cada ano, e que podemos considerar como taxas completamente desproporcionadas e exageradas ou pouco sérias.
As estradas, transportes ferroviários e portos, num país de 85 milhões de habitantes, estão cada dia mais congestionados.
Os engarrafamentos de trânsito são piores que na China, não atingindo o nível e o caos indiano.
Uma outra barreira notável, é a corrupção endémica e sistémica, comum na Ásia, África e grande parte da América do Sul.
Recorde-se o recente escândalo vietnamita, em que o governo parou um programa de desenvolvimento de vias no Norte do país, depois de descobrir um escândalo de desvio de milhões de dólares, no Ministério dos Transportes, em Abril, onde houve um pouco de tudo, como demissões, exonerações e prisões, tendo rolado a cabeça do próprio Ministro, e enviado para a prisão o vice-ministro, um director de departamento e vários outros responsáveis.
As políticas de desregulação económica, são de há quinze anos, do tempo das más colheitas agrícolas e das desastrosas administrações burocráticas que conduziram a graves problemas de nutrição.
O próprio Governo e o Partido Comunista, foram os principais arquitectos da mudança, no desencanto, face à corrupção e à ineficiência do Estado como empresário.
No momento, as reformas são definitivas e irreversíveis. Qualquer, tentativa de voltar à fórmula central ou planificada da economia, ou rearmar o sector estatal seria irracional, inútil e prejudicial.
Em vários aspectos, o Vietname é mais pró sector privado que a China. A renúncia a abespinhar a classe média urbana, tem como resultado, que o fornecimento de energia eléctrica em caso de escassez, não atinja os bairros prósperos.
Em sentido oposto, as áreas industriais sofrem, em idêntica situação, no mínimo três dias de interrupção de energia por semana, e devem valer-se de custosos geradores a diesel.
A cidade de Hanói e as suas fábricas nem sequer têm geradores de emergência. Os bairros residenciais de Saigão e outras cidades sofrem duas interrupções de fornecimento de energia por dia.
Tal como a China, o Vietname extraiu grandes lucros da diáspora, que regressa. São milhares de vietnamitas, que voltam a aprender o inglês, com formação técnica e alguma experiência empresarial.
As empresas americanas, europeias e japonesas aproveitam essas vantagens gratuitas, que estão muito abaixo do nível de Singapura e Taiwan, as duas maiores fontes de investimento.
A mão-de-obra local, é jovem e menos preparada, num país, em que 2/3 da população têm menos de vinte e cinco anos.
A dupla guerra de libertação, primeiro contra a França, depois contra os Estados Unidos, dizimou a geração, que actualmente tem mais de cinquenta anos.
Por outro lado, a política de limitar as famílias a dois filhos por casal, mais flexível que a chinesa, que admite um só, garantiu um futuro com uma razoável percentagem de trabalhadores e funcionários fáceis de educar e formar.
O Vietname diminuiu a população reduzida à extrema pobreza, que vivia com menos de um dólar diário, passando de 52% em 1990 a 7,8% no ano passado, representando resultados superiores à China e à Índia.
O rendimento médio está muito longe dos níveis ocidentais, japoneses ou sul coreanos.
O Vietname é um exemplo sem comparação, por se tratar de uma economia de mercado, com um governo e um país dominado pelo Partido Comunista.
Um país e duas visões, uma económica e outra política. Podem conciliar-se? O Vietname conseguiu contrariar a teoria histórico-dialéctica da filosofia política e das teorias económicas liberais capitalistas.
Caiem por terra bibliotecas de escritos, de discursos, de arrebatamentos e revoluções. Fica o porquê de outros não conseguirem, quando se enquadram nos pensamentos políticos e económicos do crescimento.
Nem se assemelha com o modelo da Irlanda ao revés. Cuba não conseguiu ultrapassar os interstícios intestinais de Fidel, outros, os do pensamento dos seus líderes.
Ao contrário de todas as doutrinas o Vietname segue e soma crescimento. A teoria da contradição no seio do mercado, do povo, do sistema era pura balela.